Quem nunca ficou encantado por oportunidades de renda fixa com taxas altíssimas?
Atualmente, em outubro de 2025, é possível encontrar ativos que pagam 18% ao ano. No mercado exterior, temos os famosos ETFs alavancados em duas vezes.
Parece fazer sentido investir em algo que entrega o dobro do retorno investindo no mesmo ativo, certo?
Talvez não, como veremos neste artigo.
Entendendo os fatores de risco de Fama e French
Quero convidá-lo, caro leitor, a conhecer um artigo publicado por Eugene Fama e Kenneth French: eles foram os responsáveis por mostrar que, mais do que escolher o ativo em si, devemos escolher a quais fatores de risco queremos estar expostos.
French e Fama começaram com a ideia de que os principais fatores de risco são:
- Fator “mercado”/beta;
- Fator “tamanho”, que hoje conhecemos como o retorno adicional que as small caps (empresas de baixa capitalização de mercado) deveriam entregar;
- Fator de “valor” que favorece empresas que possuem alto patrimônio versus seu valor de mercado.
Esse ponto nos mostra que as empresas “comuns” tendem a oferecer um melhor retorno em comparação a aquelas de alto potencial de crescimento.
Em uma de suas continuações desse estudo, um quarto fator foi adicionado: o de momentum, que é encontrado no modelo de Carhart.
Ou seja: tomando como base o primeiro fator, todas aquelas ações de alta sensibilidade ao mercado, alto beta e consequentemente alta volatilidade deveriam ter uma expectativa de retorno maior.
É esperado que, quanto maior o risco, seja exigido um maior retorno, porém a dúvida que fica é: isso realmente ocorre?
Tirando a prova real
Na prática, quando comparamos o retorno de ações menos voláteis (com menor variação de preço) tendemos a ter uma métrica de retorno ajustado ao risco melhor do que aquelas com grande variação de preço.
Esse comportamento de empresas com menor risco apresentarem melhor retorno ajustado ao risco é chamado de Anomalia da Baixa Volatilidade, justamente porque contradiz um dos fatores de French e Fama.
Um estudo realizado no mercado brasileiro por Lucas Venturini mostra que as ações de menor volatilidade do Ibovespa apresentaram melhor retorno ajustado ao risco em comparação ao próprio índice como um todo e em relação às ações de alto risco.

Chama atenção que as ações de alto risco, em verde, são as que apresentaram pior retorno. Passamos a nos perguntar por que isso ocorre.
Investigando por que ações menos voláteis performam melhor
Existem algumas ponderações que podemos fazer para explicar essa anomalia:
Motivo 1: o drawdown
Talvez você já tenha visto essa comparação: depois de cair 50%, um ativo precisa subir 100% para retomar ao patamar anterior à queda.
Os números possuem essa característica geométrica, que torna a queda muito relevante. Por isso, no gráfico acima, minimizar o drawdown é muito importante.
Lembrando: o drawdown é a medida que mostra quanto o investimento desvalorizou desde a sua última máxima histórica, até chegar nas mínimas antes de recuperar o patamar pré queda.
Motivo 2: a variação
Em geral, os ativos que sofrem grande estresse e desvalorizações acentuadas apresentam uma variação muito grande, o que contribui para a performance negativa dos ativos de alta volatilidade.
Motivo 3: os dividendos
No mercado de ações, as empresas que possuem baixa volatilidade, em geral, são aquelas que são as grandes distribuidoras de dividendos.
A distribuição de resultados passa a ser a grande fonte de retorno dessas empresas.
O gráfico abaixo mostra bem essa relação no artigo “Deconstructing the Low-Vol Anomaly” – S. Ciliberti et all:

É importante lembrar que o mesmo racional de anomalia é válido para renda fixa.
As empresas que possuem a maior taxa são aquelas que o mercado possui maior dúvida quanto a capacidade de repagar o empréstimo. Por esse motivo, exigem taxas de juros maiores.
Ou seja: o retorno é maior se a empresa pagar o que foi contratado, porém, quanto maior a taxa de juros e mais arriscada a empresa, maior a chance de haver o calote.
A mensagem que eu gostaria de passar é: selecionar investimentos apenas porque apresentam taxa maior ou uma expectativa de retorno mais alta pode ser bastante controverso; é imperativo que os riscos sejam conhecidos.
Assim como assumir risco por achar que haverá maior retorno também não é verdade.
A questão é que cada investidor possui a dose de risco correto para cumprir com seus objetivos financeiros, que podem ser mensurados e tangibilizados com as ferramentas que a Liberta Investimentos e a XP oferecem.


