O Brasil, país com um dos juros reais mais altos do mundo, oferece a oportunidade de gerar rendimento próximo de 1% ao mês a partir dos investimentos.
Quem tem R$ 1 milhão investido, portanto, pode esperar um rendimento de R$ 10 mil na conta todos os meses.
Mas esse número é alto, ou baixo?
Neste artigo, quero propor uma reflexão para você, que está com boa parte do seu patrimônio alocado em renda fixa e persegue esse 1% ao mês como principal objetivo.
Mas, antes, precisamos fazer uma breve análise do atual patamar dos juros no Brasil.
Selic em 15% é sustentável?
Na macroeconomia, um bom critério para chegar a conclusões diversas que envolvem investimentos e juros é comparar com outros países.
No ranking abaixo, vemos o quanto “sobra” de juros após descontar a inflação em diversos países.

Chama a atenção que estamos acima de países como a Rússia, que se encontra em guerra, além de outras nações que poderíamos argumentar que deveriam oferecer um prêmio maior por seu risco.
Atualmente, com uma Selic de 15% ao ano, a rentabilidade é equivalente a 1,17% ao mês.
No passado, em períodos de juros altos, muitos investidores entenderam que poderiam se dar ao luxo de ficar investidos apenas em ativos extremamente seguros e indexados ao CDI, já que a rentabilidade seria atrativa.
De fato, um rendimento de 15% ao ano é extremamente elevado.
Quando olhamos balanços de empresas de capital aberto, cujas ações são negociadas na B3, a bolsa de valores brasileira, não enxergamos uma quantidade abundante de empresas que entreguem esse nível de lucratividade em suas operações.
Leia também: Quanto tempo é longo prazo nos investimentos?
Expectativa de queda da Selic no mercado
Atualmente, a perspectiva do mercado para a política monetária é de redução dos juros.
Conforme a imagem abaixo, disponível no site do Banco Central do Brasil, o mercado enxerga a inflação em trajetória de conformidade com a sua meta.

Vamos imaginar um portfólio de R$ 1 milhão: se rendesse líquido 1% ao mês, geraria um rendimento de R$ 10 mil ao mês, o que faz uma diferença relevante no orçamento familiar.
À primeira vista, isso parece ótimo, certo ?
O que eu gostaria de trazer a seguir são alguns pontos para deixar uma pulga atrás da orelha.
Leia também: Quanto maior a taxa, melhor o investimento?
Projetando o 1% ao mês no futuro
Vamos assumir que o 1% ao mês seja possível manter para sempre, o que não deve ser verdade em breve, mas vamos assumir essa premissa para simplificar a reflexão abaixo.
Hoje, R$ 10 mil ainda fornecem um poder de compra relevante.
Cada pessoa possui uma escolha do que fazer com esses R$ 10 mil: para alguns significa pagar a escola das crianças, para outros pode ser uma viagem.
A pergunta é: com o passar dos anos, esses R$ 10 mil ainda serão suficientes para esses objetivos?
Acredito que não, pois o efeito da inflação diminuirá o seu poder de compra ano após ano.
Certamente os mesmos R$ 10 mil em 2040 comprarão menos bens e menos serviços do que R$ 10 mil em 2025.
Recordar é viver, e por isso gostaria de deixar a ilustração abaixo, que compara o preço de alguns itens em Florianópolis em 1994 e 2024:


O Brasil possui uma meta de inflação, definida pelo Conselho Monetário Nacional, de 3% ao ano para os próximos anos, porém, nosso IPCA ficou próximo a 5% a.a, na média, nos últimos 20 anos.
Sabemos que o IPCA é a inflação média de uma cesta de produtos e serviços, e cada pessoa possui a sua própria cesta de consumo, por isso a inflação do IPCA é diferente da inflação de cada indivíduo, mas vamos utilizá-lo como medida genérica.
A tabela abaixo mostra como seria a evolução do poder de compra dos R$ 10 mil mensais a partir de um portfólio de investimento de R$ 1 milhão.
As colunas mostram quantos anos se passaram, e as linhas representam uma projeção do IPCA anual.

Ou seja: mesmo se o Brasil virar a Suíça, a rentabilidade de 1% ao mês terá perdido praticamente um quarto do seu poder de compra em 15 anos.
Se o Brasil for meramente o Brasil (inflação em 5% ao ano), terá perdido quase 40% do seu poder de compra em 10 anos.
Qual conclusão podemos tirar?
A reflexão mais importante que eu gostaria que você passasse a se perguntar é: diante do cenário exposto acima, o benchmark do meu portfólio deve realmente ser o CDI?
Estou considerando a inflação quando analiso e projeto a rentabilidade dos meus investimentos?
Digo isso porque um dos principais riscos do investidor é não cumprir o seu objetivo de vida.
Certamente, não conseguimos sustentar nossa aposentadoria (viagens, custo de vida, presentes para a família) em % do CDI, e, como vimos, o 1% ao mês também não é uma fórmula mágica que funciona ad eternum.
O importante, aqui, é descobrir qual o retorno que permite a você atingir todos os seus sonhos, de acordo com o seu planejamento financeiro.
É possível medir isso com a ferramenta de Financial Planning e o resultado é justamente entender o retorno necessário em termos de inflação + rentabilidade ao ano para a sua carteira e os seus objetivos.
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