Você já se perguntou qual a melhor forma de analisar o retorno de um investimento?
Uma questão de relevância significativa e frequentemente negligenciada na análise de retornos de investimentos (sejam fundos ou ativos específicos) consiste na própria metodologia empregada.
Observa-se que, comumente, os retornos são apresentados meramente de forma absoluta e em janelas específicas, quando deveriam ser analisados de maneira relativa e, preferencialmente, em janelas móveis.
O presente artigo elucidará as principais justificativas para a adoção desta abordagem metodológica.
Por que analisar os retornos de forma relativa?
Primordialmente, é imperativo analisar retornos de forma relativa por conta de alguns fatores, que serão abordados a seguir.
Cada fundo, dentro de sua classificação específica, possui seu próprio objetivo de retorno.
Tais objetivos distintos frequentemente estão associados a diferentes mandatos de risco.
Com base nesses mandatos, pode-se estabelecer a alocação estrutural necessária na classe, considerando o perfil, política de investimento, objetivos e restrições de cada investidor.
A título de exemplificação, um fundo de renda variável ativo geralmente adota como benchmark o principal índice de ações de seu país.
No contexto dos fundos brasileiros, o benchmark predominante é o Índice Bovespa.
Consequentemente, não é metodologicamente adequado — ao analisar a capacidade e habilidade de um gestor — observar o retorno de um fundo de ações no Brasil sem estabelecer uma comparação com o Índice Bovespa ou índice similar que represente adequadamente a classe ou subclasse em questão.
Entretanto, é fundamental que não se estabeleça confusão entre o excesso de retorno obtido pelo gestor e o alfa.
O alfa constitui uma medida que calcula o excesso de retorno apresentado pelo investimento em comparação ao retorno que deveria ter apresentado nas condições estabelecidas pelo modelo de precificação de ativos financeiros (CAPM).
Por fim, é imperativo que o benchmark apresente as seguintes características:
- Representatividade em relação à sua classe ou subclasse;
- Investibilidade e replicabilidade a custos razoáveis;
- Composição por ativos cujos pesos sejam conhecidos ex ante e cujo retorno esteja disponível ex post, de forma expedita e ampla.
Ainda, mesmo quando os benchmarks são idênticos, as medidas de risco podem apresentar divergências significativas dentro de uma mesma classe.
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Como ajustar o retorno pelo risco nos investimentos
Uma abordagem para mitigar tais condições consiste na análise de determinados índices que visam ajustar o retorno pelo risco incorrido no investimento.
Entre os índices mais amplamente utilizados nesse contexto, destacam-se:
Índice de Sharpe: o prêmio de retorno do ativo dividido pelo seu desvio padrão:

Índice de Treynor: o prêmio de retorno do ativo dividido pelo seu beta:

Índice de Sortino: constitui-se como um índice de performance fundamentado em medidas assimétricas de risco. Apresenta analogia ao Índice de Sharpe, entretanto utiliza o desvio-padrão de downside:

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Por que utilizar janelas móveis?
Adicionalmente à análise dos retornos de forma relativa, revela-se crucial a consideração de janelas móveis, tanto para retorno absoluto quanto relativo, especialmente ao estabelecer comparações entre dois ou mais investimentos da mesma classe.
Tal abordagem justifica-se pelo fato de que existe significativa facilidade em manipular dados mediante a seleção de uma janela específica que favoreça a tese que se pretende demonstrar.
Um exemplo elucidativo consiste na comparação entre os retornos do CDI e do dólar em diferentes períodos temporais.
Na hipótese de um estudo objetivar demonstrar que o CDI apresentou retornos insatisfatórios em comparação ao dólar, pode-se utilizar uma janela de 15 anos.
Nesse cenário específico, o CDI apresentou retorno de 293,74% enquanto o dólar PTAX retornou 218,88%, resultando em um excesso de retorno de apenas 1,42% ao ano.

Em contrapartida, caso a intenção seja evidenciar os benefícios de aplicar recursos em ativos atrelados ao CDI, pode-se utilizar uma janela de 5 anos.
Nessa análise específica, o CDI demonstra-se um investimento de excelência, mesmo considerando a apreciação da moeda norte-americana.
O retorno do CDI foi de 56,94% enquanto o do dólar foi de apenas 8,10%, resultando em um excesso de retorno anualizado de 8,11%

Não obstante, para obter-se uma visão mais abrangente acerca do comportamento do CDI em relação ao dólar, pode-se observar as janelas móveis de retorno desde o início da série histórica, em 01/01/2000.
Foram analisadas 5.184 janelas de 1.800 dias (aproximadamente 5 anos) em toda a série.
A partir destes dados, observou-se que o CDI apresentou excesso de retorno em relação ao dólar em 72% das janelas, enquanto em 28% das janelas, o retorno do CDI foi inferior à variação cambial.

Adicionalmente, ao observar-se as janelas em que o CDI apresentou excesso de retorno superior a 5% ao ano, constata-se que tal ocorrência manifestou-se em 48% das 5.184 janelas.
Consequentemente, desconsiderando-se todos os dados contemporâneos e observando-se exclusivamente o histórico, é possível inferir que a probabilidade de o CDI obter um excesso de retorno anualizado em relação ao dólar superior a 5% é de 48% em janelas de aproximadamente 5 anos.
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A conclusão final?
O objetivo do artigo não consiste em incentivar ou desincentivar a aquisição de dólar ou de ativos atrelados ao CDI, mas sim em demonstrar que a metodologia empregada na análise dos retornos históricos pode contribuir significativamente para que o investidor tome decisões fundamentadas em bases mais sólidas.
Em resumo, analisar investimentos exige método.
É preciso avaliar não só retornos absolutos, mas também comparar com benchmarks relevantes e considerar o risco.
Usar janelas móveis é fundamental para evitar distorções e ter uma visão clara do desempenho dos ativos ao longo do tempo.
Com essa abordagem mais direta, investidores tomam decisões mais embasadas, menos suscetíveis a vieses ou manipulação de dados.


