Você olha para o resultado fora da curva de um gestor de fundo e rapidamente fica impressionado.
Como é possível que esse gestor tenha alcançado um resultado tão acima dos seus pares?
E aí surge uma pergunta ainda mais instigante: afinal, estamos falando de sorte ou genialidade?
Esse é um dilema muito comum ao analisar o desempenho de gestores no mercado financeiro.
Neste artigo, vou mostrar alguns instrumentos que temos à disposição para separar a sorte da genialidade.
Analisando a consistência dos resultados
De cara, um dos critérios que poderíamos pensar seria a consistência de acordo com o tempo e resultado.
Um dos possíveis exemplos seria coletar os dados de performance dos fundos de ações long only – aqueles que adotam somente posição comprada, acreditando na valorização do papel.
Tomando como base levantamento da XP em 2022 e 2023, podemos notar que os nomes não se repetem:


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A difícil missão de bater o mercado
A verdade é que existe um fenômeno que acontece no Brasil e a nível global: é muito difícil de superar o mercado, conforme mostra o estudo da S&P:

A imagem acima nos mostra que dificilmente fundos de diferentes estratégias conseguem superar o seu benchmark.
E isso fica ainda mais difícil quanto maior o horizonte de investimento: compare a barra verde de 10 anos versus a barra de azul de 1 ano.
O desempenho dos melhores gestores do mundo
Até o momento, descobrimos que encontrar os “gênios” é uma tarefa bastante árdua, dada a escassez.
A próxima imagem ilustra o desempenho de alguns gestores bem conhecidos:

Todos que estão no gráfico acima superaram o mercado como um todo, quando medidos pelo S&P 500.
Porém, será que exclusivamente por esse fato podem ser considerados “gênios”?
É importante ressaltar que, apesar de nem todos serem considerados gênios, os seus resultados ainda assim são admiráveis.
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Uma equação que separa a sorte da genialidade
Temos uma “fórmula” que pode ser considerada para a classificação que buscamos:

Para que o gestor realmente alcance o tão falado “alfa”, que comprova um adicional de retorno por sua gestão ativa, não basta ele meramente superar o índice amplo de mercado (“Market Return”): ele precisa entregar excesso de retorno ao que outro gestor com o mesmo estilo (“Factor Return”) entregaria.
Um exemplo: um gestor de ações que supera o Ibovespa ao investir em ações de dividendos e também supera o Índice Dividendos (IDIV).
Saindo do campo dos investimentos, podemos fazer uma analogia grosseira da seguinte maneira: posso dizer que Neymar é o atleta mais bem pago?

Neymar pode ser o brasileiro mais bem pago, porém, como não é o jogador de futebol mais bem pago, não poderíamos considerá-lo como um “gênio”.
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Gênios superam o mercado E o benchmark
O exemplo abaixo mostra que Warren Buffet não só obteve performance melhor que a bolsa americana (azul claro), mas também foi melhor que os investimentos considerados como ações de value/valor (linha amarela).

Um exemplo brasileiro seria o caso do ETF da Nu Asset (vermelho), focado em dividendos, que supera a bolsa brasileira como um todo (amarelo) e aparenta ser uma grande escolha, porém ao comparar contra o índice de dividendos (verde), a conclusão pode ser alterada.

Nesse caso específico, é importante ressaltar que o histórico é curto e, ainda assim, vale a pena ficar de olho no desempenho desse ativo, dado que foi um dos primeiros ETFs a pagar dividendos no Brasil.
A mensagem que gostaríamos que fosse internalizada é de que, para um gestor ser considerado um “gênio”, ele precisa superar o mercado E superar o benchmark específico do tipo de gestão que realiza.
É comum investidores deixarem de ajustar a performance de acordo com o devido benchmark, o que pode causar uma distorção bem relevante na análise de resultado.
Espero que, depois de ler esse artigo, você não seja um desses investidores.


